Nesta imagem aparece um trecho da rua que foi sobreposta pelo traçado da Linha Vermelha. O trecho da imagem está localizado entre a Rua Prefeito Olympio de Mello e Rua Ricardo Machado, paralelo a Avenida Brasil, na altura do Cemitério do Caju.

Determinadas intervenções não deveriam sacrificar algumas regiões para beneficiar outras.

A autopista da Linha Vermelha trouxe benefícios sob determinados aspectos para a mobilidade urbana, se considerarmos o sistema de transportes de passageiros por ônibus, pois facilitou a integração com a Baixada Fluminense. No entanto, sacrificou enormemente os moradores e comerciantes por onde o seu traçado foi lançado.

Justificativas que poderiam ser dadas para esse tipo de decisão política são questionáveis. Tanto é verdade, que na revitalização da zona portuária, a demolição da Avenida Perimetral foi uma estratégia fundamental para reapresentar a “nova” região aos futuros investidores, ou seja, sem o elevado.

Ao momento que se discutia a demolição da Avenida Perimetral, eu particularmente fui contra. Explico: Ela não deveria ter sido construída, no entanto foi. Estava funcionando bem, sem apresentar qualquer sinal de risco em sua estrutura. O dinheiro gasto para demolir o elevado e para construir o Túnel Marcello Alencar poderia ter sido aplicado em outras áreas como numa parceria com o governo do Estado para a extensão do metrô entre a Estácio e a Carioca, investir num modal de transporte que conecta-se a Ilha do Governador, o Fundão e o centro da cidade ou até mesmo a expansão do metrô, Linha 4, até o terminal Alvorada, na Barra da Tijuca.

Voltando ao tema do post, quem faria a opção de morar ou constituiu um negócio numa rua com esse aspecto?

O quanto esses imóveis foram desvalorizados? Quantas moradores e quantos empregos foram afetados?

Será que valeu a pena uma agressão como essa sobre um território infraestruturado como este, relativamente próximo do centro da cidade, onde muitas pessoas poderiam estar vivendo justamente pela proximidade de pontos geradores de pessoas como a Ilha do Fundão, o Aeroporto Internacional, a Rodoviária Novo Rio e os principais acessos para o Leste Metropolitano, Baixada e Região Serrana?

Não se trata de demagogia. Apenas reflito a cidade me colocando no lugar do outro. Será que eu gostaria de viver nessa cidade?

Se eu enquanto urbanista planejo ruas que eu não gostaria de viver ou trabalhar, certamente alguma coisa errada está ocorrendo.