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Em 2008, quando abri mão de concorrer naquelas eleições como vice-prefeito na chapa do ex-prefeito Antonio Jogaib, sabia que poderia estar arriscando politicamente, pois deixaria de me apresentar como candidato e me tornar mais conhecido. Aquela era uma eleição em que Jogaib despontava como favorito, portanto as chances dele vencer estavam evidentes, o que se confirmou.

Não estava em meus planos concorrer e em momento algum eu fiz qualquer tipo de insinuação de que queria ou iria aceitar ser candidato para depois desistir. Meus planos já estavam traçados e não quis alterá-los.

Olhando por um determinado aspecto, fiz bem, porque com a faculdade de arquitetura e urbanismo e mais tarde com o curso de especialização em gestão pública agreguei mais conhecimento, conhecendo profissionais, professores, entidades e órgãos que poderão me ser útil no futuro, caso eu venha a concorrer a algum cargo eletivo, principalmente na condição de candidato a prefeito.

Começar na vida pública como vice-prefeito aos 25 anos de idade seria um título e tanto. Sempre serei grato à confiança e respeito que o dr. Antonio Jogaib demonstrou por mim. Ter sido escolhido por ele como seu candidato preferencial para uma posição tão especial na chapa, numa eleição que sabíamos que não seria fácil, pois à época, dr. Carlos Sérgio,  então prefeito, disputaria a reeleição e contava com o apoio do governo do Estado. Foi uma eleição muito disputada.

Decorridos 8 anos, hoje, já formado e sem nenhum tipo de obstáculo que me impediria de concorrer, me coloquei como pré-candidato a prefeito porque considerei que era chegada a hora.  Alguns, com medo da minha entrada definitiva na política na condição de candidato tentaram desconstruir a minha imagem alegando que eu não poderia concorrer ou que eu não seria um nome viável porque passei os últimos anos entre Niterói e Porciúncula. O fato de ter duas residências, uma em Porciúncula e outra em Niterói deve-se por motivos profissionais e de estudo. Lamentável seria se eu me mantivesse com o dinheiro da prefeitura de Porciúncula ou da Câmara de Vereadores nestas circunstâncias, mas faço com recursos próprios. Sou livre para ficar quanto tempo eu quiser, onde eu bem entender, porque não tenho livro de ponto para assinar no serviço público no município, portanto, não pratico qualquer ilegalidade em meus atos e isso não fez com que eu apagasse da memória o que conheço e sei sobre a realidade municipal.

Minha trajetória política, mesmo sem ter mandato algum, incomoda alguns políticos carreiristas porque adquiri projeção junto ao eleitorado, sob determinados aspectos, apenas como um mero presidente de partido político.

Na condição de presidente de partido, fiz muita limonada com o limão que eu dispunha, sendo que através da minha atividade partidária consegui vários milhões de reais em emendas parlamentares para o município.

Talvez tenha errado por não ter divulgado com mais firmeza minha atuação e conquistas políticas.

Construí minha presença na política municipal saindo das sombras do meu avô, Alaor Braz da Fonseca, que faleceu quando eu tinha 17 anos. Aprendi a ser eu mesmo. A pensar e ter ideias próprias, porém, sempre me recordando com admiração dos seus ensinamentos e do seu exemplo enquanto homem público que tanto fez pelo progresso de Porciúncula. Também é verdade que seu governo foi muitas vezes renegado ao esquecimento, porque nunca se preocupou em inscrever seu nome na história inaugurando obras com placas com referência a sua gestão na prefeitura.

Hoje, vejo com tudo isso que consegui avançar. Agradeço também a confiança do deputado federal, hoje Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que tanto fez por Porciúncula, pois foi através do mandato de Rodrigo Maia que conseguimos viabilizar esse grande volume de verbas via emendas parlamentares individuais.

Desejei ser candidato em 2016, mas não foi possível viabilizar a candidatura. Filiado ao PSDB, disponibilizei meu nome como pré-candidato a prefeito e ao me filiar ao partido, mas no fim de 2015, ao perceber que não havia unidade em torno do meu nome, resolvi me excluir do processo, porque o tempo exigia um posicionamento firme da legenda para que se pudesse a partir daí construir uma rede de apoio e uma nominata de candidatos a vereadores que comungassem dos mesmos ideais. Desconfortável com o embaraço criado, optei por deixar a legenda e aceitei o convite do PP que já havia me convidado para também integrar o quadro do partido desde 2015.

Conheço Porciúncula, alimento sonhos, transfiro para papéis e para o computador projetos e ideias que tenho para o nosso município, porque não caí de paraquedas na política municipal. A acompanho desde os 10 anos, quando era candidato Antonio Monteiro, em 1992. Depois, já aos 14 anos, em 1996, participei frequentemente das atividades da campanha do meu avô. Em 200o, na campanha de Adilon Lopes e formalmente desde os 18 anos, quando na condição de presidente de partido demos início a nossa jornada no ano de 2001.

Quem me conhece sabe como lido com as pessoas, com respeito e atenção. Tanto isso é verdade que  dr. Jogaib, do alto da sua experiência na vida pública me considerou adequado para acompanhá-lo como companheiro de chapa em sua última campanha como candidato a prefeito.

A vida é feita de escolhas, é preciso saber priorizar. Priorizei continuar me preparando, aprendendo coisas novas para um dia poder servir melhor o município, se assim for a vontade de Deus e do povo.

Acredito que Porciúncula pode muito mais e temos servidores municipais qualificados e inteligentes para que junto de um governo afinado com práticas administrativas inovadoras extrai o que nosso município tem de melhor.

Se eu não acreditasse e não amasse minha terra, já teria desistido. Mas não desisti.