6fev2015-o-chargista-casso-brinca-com-as-investigacoes-da-operacao-lava-jato-que-investiga-um-grande-esquema-de-lavagem-e-desvio-de-dinheiro-envolvendo-a-petrobras-1423178183215_956x500

Pelo sistema eleitoral brasileiro é quase impossível que não tenhamos qualquer tipo de envolvimento com partidos políticos.

Não é permitido o lançamento de candidaturas avulsas. É requisito a filiação partidária.

Os partidos são inorgânicos e muitos não possuem uma identidade política clara ou muitos se confundem, ou seja, defendem praticamente as mesmas coisas com pequenas diferenças. Por isso muitos dizem uma coisa em campanha e na prática fazem sempre algo parecido com o que já vinha ocorrendo.

Mas a questão mais impactante nesses últimos tempos no Brasil é o combate à corrupção. A Operação Lava Jato e o juiz federal Sérgio Moro e antes, no processo do Mensalão, o Brasil assiste uma reviravolta sobre a cultura da impunidade dos ricos e poderosos.

Por outro lado, fez surgir um aspecto de militância política que tem surpreendido as pessoas com o mínimo de racionalidade. Usa-se, habitualmente, inclusive uma frase para separar um grupo de outro. Qual é? Os que têm e os que não têm um corrupto de estimação!

Vejam ao ponto que chegamos.

Essa inversão de valores é maléfica para qualquer projeto de país que queira de fato reduzir os crimes contra a administração pública.

Não temos culpa de votar e apoiar em alguém que lá na frente se descobre indigno do nosso voto e da nossa confiança, mas a partir do momento que se constata o erro que foi eleger um determinado político, persistir nesse erro por teimosia é deprimente.

Não tenho dúvidas de que isso deve ao processo de doutrinação partidária, onde a preocupação não é formar cidadãos, mas militantes.

Temos que ter senso crítico sim, mas também não podemos fazer coro aos argumentos mais estúpidos para justificar a nossa teimosia em insistir na defesa daquilo que já se mostrou indefensável.

Antes de defender com unhas e dentes um político acusado de corrupção e sair por aí justificando um com a corrupção do outro, o melhor que se tem a fazer é silenciar-se para que não sejamos instrumentos da cultura da impunidade.

Lembremos dos milhões de brasileiros sem assistência que morrem por falta de segurança, por falta de atendimento em unidades de saúde pública, nos presídios aguardando julgamento, no trânsito por falta de segurança e educação, pelas drogas e pelo tráfico, em desastres naturais, por falta de planejamento e ações preventivas, na seca, por falta de tecnologia e infraestrutura, nas ruas por falta de empregos e oportunidades e assim segue…

A corrupção mata direta e indiretamente e politicamente podemos nos tornar cúmplices, alimentando narrativas que colocam em xeque a credibilidade das instituições.

Até mesmo a imprensa. Há o que falam o que gostamos de ouvir e aqueles que dizem o que não gostamos. Isso é bom, significa que a Democracia está funcionando, porque se tivéssemos veículos de comunicação que pensassem iguais, isso sim seria um risco.

Nenhum partido é formado integralmente por “santos” ou por “bandidos”. Há gente bem intencionada ou não em todas as legendas. A questão é que as pessoas precisam aprender a a separar dentro do campo da corrupção os que merecem crédito e os que não merecem crédito usando como critério, não a bandeira do partido ou a ideologia, mas o que foi feito de lícito e ilícito.

Não se admite subjetividade neste quesito. Existe é a capacidade de exercitar a racionalidade e aprender a abrir mão do fanatismo político.